terça-feira, 30 de junho de 2009

Velhice



Lá estava ela, ali parada.
Um misto de medo e pressa.
Paralisada diante do trânsito frenético.
Seus pensamentos também tinham pressa,
queria chegar logo ao outro lado da rua.
Mas,
sua pele clara, quase transparente, suas mãos trêmulas, as pernas frágeis e lentas não acompanhavam mais o vigor da rua.
Os cabelos ralos e brancos voavam lentamente, como pena de pássaro perdida.
Seu olhar sensível e doce procurava o olhar de algum motorista que quisesse parar.
Sua memória a fazia lembrar de momentos em que aquelas pernas eram mais rápidas do que a de qualquer menino peralta. E, atravessava a rua em milésimos de segundos rindo alegremente.
Aos poucos aprendera olhar para os dois lados.
Mais tarde, no vigor da juventude, parava de mãos dadas com seu amor, assim sem pressa. Querendo mesmo permanecer ali sentindo o calor das mãos.
Segundos intermináveis de um passado presente. Pura vivacidade na memória latente. Extrema magnitude de detalhes em cada lembrança.
Sorri, quer quase correr, mas ainda esta ali.
Alguém se aproxima,
quer ajudar-lhe.
Percebe-se frágil outra vez. Relembra que a vida é efêmera.
Ainda há pouco era puro frescor. Agora as pétalas tomam consciência que o entardecer chega velozmente.

Obrigada meu filho, aceito sim sua companhia até o outro lado da rua.

4 comentários:

  1. Após algum deleite entre seus versos eu me pergunto como pude ter tartado tanto em atravesar essa rua e pousar aqui sore essas letras delicadas.
    Não sei quem és, mas me encantei com tua escrita.

    Ingrid

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  2. Faço das palavras de Innd, as minhas palavras.

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